4 de junho de 2009

Uma vida longa

Encontrei esse pensamento e acredito que diz respeito à um funcionamento recorrente em muitas pessoas.

"Vivi uma vida longa e passei por muitos problemas, muitos dos quais nunca aconteceram."

Mark Twain, escritor


28 de maio de 2009

Os 7 Grandes Medos


Sempre achei que o maior medo do ser humano fosse sentir medo. Mais uma vez irei comentar sobre ele, o temido. Por mais que se tente entender de forma teórica o medo é uma experiência variável e ao mesmo tempo singular. Mas para suprir tanta curiosidade afirma-se que o ser humano possui 7 grandes medos. Fazendo uso disso o leitor identifica-se com um dos modos e consegue aquele sentimento tranqüilizador de “outras pessoas sofrem do mesmo que eu”. Isso funciona somente como informativo, pois o medo que acomete cada um tem origem em algo que diz respeito à sua história e mesmo que seja deixado de lado por algum tempo, irá escapar ao controle consciente para dar um novo sinal impossibilitando a pessoa em outro momento de sua vida.

Os sete grandes medos mais comentados são: * medo de ficar/ser pobre * medo de ser criticado * medo de contrair alguma doença * medo de perder o amor de alguém * medo de envelhecer * medo da perda da liberdade * e o maior de todos, o medo da morte. Os seis primeiros apontam para o último pois tem em comum a mesma sensação de aniquilamento, mortífera. A atenção sobre cada um de forma independente não é relevante, pois o medo pode ser algo transitório aparecendo em um momento específico que se esteja atravessando com a possibilidade de deslocamento de um tipo de medo para outro. O importante a ser destacado é que cada pessoa tem as suas questões a nível inconsciente fazendo com que o medo surja como desencadeador de um processo individual já que não existe uma relação causa/efeito evidente que sirva como padrão. Como por exemplo o fato de ter medo de elevador não significa que todos os que estiveram presos dentro de um sentirão medo a partir desse episódio. Da mesma forma que nem todos os que tem medo de elevador já estiveram presos como também não será por esse motivo que se prefira subir ou descer de escada. Se fosse assim qual a explicação para o medo de insetos?

Diante da avalanche de (des) informações da mídia vive-se sob uma constante ameaça podendo gerar desde um simples receio em executar uma tarefa ou sair de casa até uma fobia grave incapacitante. Curar um sintoma não significa curar a patologia em sua origem. O medo é um sintoma e esse modo de expressão aponta para algo desordenado em seus processos psíquicos. A angústia traz impedimentos, depressões, pânicos, anorexias... O medo é a ponta do iceberg e a verdade submersa depende de uma investigação para se viver sem tantas barreiras.

21 de maio de 2009

Escravos de Jó



“...fiquei impressionado. O casal tem uma filha de 6 anos e vive uma relação amorosa com outro casal... o pior é que encontram-se inclusive na casa onde vivem com a menina. E ainda perguntam à pobre da criança se ela se ‘incomoda’ com a situação e a menina diz que não. Pode uma coisa dessas? Você acha que isso pode ter alguma conseqüência para a criança?”

Vivemos na era em que tudo é possível, o prazer é ilimitado e diante da própria angústia o sujeito determina que tem o direito de fazer tudo o que lhe convém pois, paradoxal mesmo, ele não sabe o que fazer com seu mal estar. Obviamente ninguém deve julgar a vida sexual alheia. Acredito que um acordo entre adultos deve ser mantido, pois cada um é absolutamente livre para assumir sua sexualidade e não dar satisfação à quem quer que seja. Como psicóloga posso dizer que a menina é também parceira no suingue. Esse excessivo entrosamento/conhecimento sexual dentro de casa a subordina na participação e conhecimento dos sócios da relação como também dos horários das práticas sexuais de sua mãe e seu pai.

Uma criança de 6 anos não possui suficiente conhecimento sexual para um questionamento dessa ordem. Ela fantasia algo a respeito do que acontece no quarto dos pais e dessa maneira as coisas deveriam ser mantidas. Algum tipo de culpa ou remorso deve surgir naquele que pergunta à filha se ela se ‘incomoda’. Na verdade ela não possui maturidade para dar uma resposta. Mas a nível inconsciente ela já está incomodada pela invasão, porém ainda não consegue definir o que a acomete.

A criança sempre ‘assiste’ à vida sexual dos pai mesmo que na fantasia. Assistir no sentido de que em seus processos psíquicos muito já se formou e somente mais tarde ela poderá de alguma maneira expressar em sua própria vida o que aconteceu. A construção da sexualidade de cada um vem do exterior, do meio em que vive. E ela poderá aderir à práticas sexuais mais liberadas sem, talvez, deixá-la com algum tipo de inibição ou culpa.

16 de maio de 2009

Quando o celular toca.


Algumas pessoas adorariam vencer o ciúme. Sei de uma pessoa que sofre a cada vez que o celular do namorado toca. E de vez em quando, na ausência dele, ela checava as ligações feitas e recebidas até o dia em que foi flagrada. A partir daí ele vive apagando os números.
- Porque você faz isso? Ele já te traiu alguma vez?
- Nunca.

O ciúme é uma terrível paixão da alma e coloca aquele que sofre em posição de passividade. O que é processado psiquicamente naquele que sofre? Ressentimento de relações passadas? Que tipo de casal os pais formavam? Um dos pais foi infiel? E o outro? Reagia pela constatação de uma traição ou por uma fantasia?

O ciúme é um sentimento arcaico. Retorna ao terror infantil em ser abandonado por um dos pais. Na vida adulta o ciúme assinala o medo de perder algo que irá abalar a integridade psíquica fazendo com que a pessoa tenha sempre a necessidade de uma segurança ou certeza nas relações. O ciúme aparece como sintoma de um acontecimento não assimilado do período da infância. Pode ser a infidelidade de um dos pais. Sobretudo se a criança foi testemunha de uma traição ou observadora da dor de um dos pais. O nascimento de um irmão pode também desencadear um processo doloroso de desapego.

Algumas vezes o ciúme também resulta de um desejo pessoal de ser infiel que é então projetado sobre o outro. Se o ciumento possuir uma conduta habitualmente infiel nas relações, talvez tema que o parceiro aja como ele mesmo um dia agiu. Em todo caso o ciúme poderá aparecer como uma autopunição que a pessoa se inflige.

O ciumento consegue amar de verdade. Sua questão aponta para o medo inconsciente de uma perda, pois amor nesse caso rima com abandono. É comum na infância perder alguém que lhe é caro. Alguém que desapareceu radicalmente sem qualquer explicação.
Ciúme gera medo. Medo de que aquela pessoa desapareça. Medo de parar de existir quando se está longe. Medo de que não volte mais. Analisar a própria angústia parece ser uma boa solução para ultrapassar esse tipo de problema.

26 de abril de 2009

Tentando mais uma vez

Você pode ter errado, não faz mal. Isso não configura um problema. Talvez isso faça com que você consiga olhar a vida de uma maneira diferente.
No desespero do erro muitas vezes não é percebida uma possibilidade futura de acerto. Parece que só encontramos valor em nós mesmos quando fazemos algo com competência, sucesso e reconhecimento. No entanto a vida presenteia todos com um permanente aprendizado. E então paramos de nos castigar por causa do erro e vislumbramos a próxima vez, uma nova possibilidade. Transformando qualquer aspecto da vida.

"Nunca perdemos nada ao aprender; sempre ganhamos alguma coisa. A razão pela qual eu sei tanto é ter cometido tantos erros."

Buckminster Fuller, matemático e filósofo que nunca se formou mas recebeu 46 doutorados honorários.

16 de abril de 2009

Fa$$mirrí e mega sena

Como sempre faço no início de cada mês, paguei a secretária do consultório e fui retribuída com um grande sorriso e a seguinte afirmação: “Ôba, lá vem o fassmirrí”. Perguntei que idioma era aquele e bem devagar ela me diz “esse é o faz-me rir” explicando sem hipocrisia e com muita naturalidade que o dinheiro a deixava muito feliz.

Depois encontrei com um conhecido que joga na mega sena há muitos anos e quando já estava acumulada na casa dos 20 milhões, fiz referência ao prêmio e ele me disse: “Nem quero ganhar isso tudo sozinho”. Intrigada perguntei o porque em não querer toda aquela quantia já que ele jogava há tantos anos e, portanto, nutria o desejo de ficar rico. Ele me responde: “Ah, sei lá. Não sei como seria. É muito dinheiro, não quero tudo isso, não”, revelando uma imprecisão a respeito do que sentiria ou se tornaria caso recebesse um prêmio vinculado à responsabilidade de algo desejado por milhões de pessoas.

Apesar das dificuldades materiais em que vivem muitas pessoas não conseguem se libertar de registros que determinam suas ações. Ensinamentos na infância que ecoam por toda a existência e que limitam o cotidiano transformando a vida em uma sucessão de acontecimentos repetitivos apesar do desejo que algo diferente (e mágico!) aconteça.

Trocando em miúdos, querer uma vida com dinheiro, de forma criativa, trabalhando no que se gosta, “é para os outros”.

Por pelo menos uma vez todos já ouviram algum desses aforismos:

* O dinheiro é a raiz de todo o mal.

* Rico nesse país, só roubando...

* Guarde para os dias difíceis.

* Rico não tem coração (sentimento, bondade, compaixão)

* Dinheiro não nasce em árvore

* Você acha que sou feito de dinheiro?

* Tenho cara de banco para você me pedir dinheiro todo dia? Eu mesma ouvi algumas dessas na minha infância e as que me recordo são “todo rico é ladrão” e a famosa “não tenho um centavo”.

O dinheiro é um símbolo de troca. Trocamos nosso trabalho (conhecimento, mão de obra, força física) por dinheiro. E esse dinheiro será trocado por algum bem de consumo ou de bem estar. Simples assim. Na maioria das vezes nem chegamos à tocá-lo. Ele aparece na tela do caixa eletrônico ou do computador e temos a grata satisfação de que algo que fizemos nos rendeu frutos e proporcionará algo que desejamos.

O dinheiro nem existe. O dinheiro é virtual. A grande questão do dinheiro é que sobre ele é colocada uma enorme quantidade de símbolos por conta do resultado de tudo o que vivemos e ouvimos na infância transformando, o que era para ser um meio, em símbolo. Símbolo de poder, beleza, sucesso, felicidade. Mas também de corrupção, ganância, desvalia e sujeira. Pessoas que gostam de (ganhar) dinheiro têm receio de que os outros o considerem desprovido de algum valor, sensibilidade ou amor revelando um senso de culpa ligado à esse desejo. Somente se libertando desse condicionamento do passado, saindo da condição de vítima é possível dar o correto valor ao dinheiro.

Esse escrúpulo em torno do dinheiro é parte da condição humana e não há nada de novo nisso. Em 1913 Freud já afirmava que “as questões de dinheiro são tratadas pelas pessoas civilizadas da mesma maneira que as questões sexuais – com a mesma incoerência, pudor de hipocrisia”.

9 de abril de 2009

O poder dos avós

Hoje li um artigo que afirmava ser prejudicial para as crianças a permanência com os avós enquanto os pais estão no trabalho. Explicando. Os pequenos que ao invés de irem para a creche ou escolinha, ficavam em casa com os avós. Esse convívio excessivo revelou ser prejudicial para as crianças que apresentaram dificuldades na linguagem ou problemas adaptativos quando alcançavam a idade de três anos. Os que ficavam aos cuidados da creche, escola ou babá especializada apresentaram um desenvolvimento elevado.

Vamos por partes. É claro que o amor dos avós é na maioria das vezes inigualável. Mas em função das limitações que todos enfrentamos à medida que amadurecemos, seria um equívoco acreditar que a convivência com eles devesse proporcionar experiências educacionais e sociais às quais a criança realmente necessita. Isso é função de pais e educadores.

A abordagem do texto foi feita com crianças de todos os níveis sociais. Condição financeira, cultural, possibilidades, acessos facilitados ou eventuais dificuldades não foram importantes na relação entre avós e netos nessa pesquisa. O estudo conclui que os avós merecem apoio ao invés de críticas.

Ter um filho diz respeito ao desejo de alguém em relação à maternidade ou paternidade. Esse desejo vai além do fator biológico e implica muito em comprometimento, formação de novos vínculos, abrir mão de suas prioridades e de todo um mundinho próprio já organizado. Para incluir alguém na própria vida é necessário ter que abdicar de algumas coisas caso contrário vive-se sozinho. O que dirá com a entrada de alguém que irá depender em sua totalidade? Que se encontra em desamparo? Portanto há de se ter além do desejo, algum planejamento e estar preparado (a) para novas responsabilidades e a certeza da presença permanente de alguém irá depender MUITO de todo tipo de cuidados.

Os novos vínculos e alianças que se formam a partir de um filho não implica em delegar a responsabilidade dos cuidados à alguém. O outro tem o direito de não querer essa responsabilidade. Muitas mulheres desejam um filho e quando nasce “a minha mãe (a avó) cuida”.

Avós devem exercer seus papéis e sem querer criar categorias para as funções familiares, pois isso na verdade já existe, eles têm pleno poder sobre suas tarefas. E que tarefas são essas? De serem simplesmente... AVÓS.

Os netos dão uma segunda oportunidade para que sejam aprendidas algumas coisas que escaparam na vez em que surgiram durante a experiência com seus próprios filhos. A presença dos netos também faz com que a passagem do tempo permita aos mais velhos ver com mais felicidade a realidade do segmento de sua vida.

Há muitas vantagens em ser avô ou avó e talvez a mais importante a ser destacada é que eles TÊM TEMPO. Isso soa paradoxal, é verdade. Mas eles têm tempo para os netos. Pois o tempo que falta aos pais, os avós têm. E assim eles exercem seu papel de transmissores de princípios revelando companheirismo, amizade, amor. Mesmo quando os netos estejam passando por dificuldades ou solidão. Mesmo quando são incompreendidos.

Os avós acreditam nos netos de uma forma bastante natural. Os netos olham para eles acreditando que ali existe uma alma, uma existência sem idade no coração, alguém eternamente jovem e imortal.
Eles ouvem o que os netos têm a dizer e principalmente o que eles não querem dizer, sem a intenção de administrar a situação como normalmente faria uma mãe ou um pai.
Os avós permitem que os netos consigam alcançar seus objetivos oferecendo-se como aliados dando incentivo e inspiração. Em troca sentem o coração rejuvenescido e descobrem a fonte da eterna juventude.

Os pais têm a oportunidade e o dever de manter os filhos em segurança e algumas vezes até utilizam alguns recursos ameaçadores para manter a integridade física dos filhos. Por pelo menos 18 anos mãe ou pai organiza, grita, reclama porque ele entrou de novo em recuperação, impõe maneiras, bons hábitos, arrasta para o médico, o dentista ou fica até mais tarde para explicar a matéria às vésperas da prova ou para esperar que chegue de uma festa.

A imagem dos avós é uma boa marca que se deve levar de lembrança por toda a nossa existência. Uma vez li um livro em que a protagonista dizia a respeito de uma de suas avós e que pode ser estendido aos avôs também. Ela dizia:
“A imagem mais marcante que tenho de minha avó foi o dia em que ela juntou suas tintas e telas em branco e nos levou ao Jardim Botânico. Enquanto eu e meu irmão explorássemos os jardins eventualmente eu a olhava de uma pequena distância e lá estava ela. Com porte de rainha diante do cavalete, a luz dourada do sol iluminando seu rosto completamente em transe enquanto pintava. Como eu a amava naquele momento! E essa lição sem palavras cristalizou esse momento de emoção e a sensação permaneceu em mim pelas seis décadas seguintes da minha vida.”


2 de abril de 2009

O pessimista



Independente da maneira de se colocar frente a vida seja com fé na religião, na ciência, nos pais ou no amor da sua vida, por algum momento talvez tenha sucumbido a um acontecimento que o fez vacilar nas próprias crenças. Desilusão amorosa, desemprego, morte de alguém querido. De vez em quando a vida nos coloca diante de algumas incertezas e eventuais fracassos.


Não passa despercebida uma pessoa que afirma que nada dá certo, tudo vai mal e culpa desde o governo até o vendedor da esquina por seus insucessos e tristezas. Aquela velha história do copo d’água meio cheio ou meio vazio.



O pessimista cria um modo de vida defensivo se protegendo dos perigos do mundo. Obviamente ninguém nasce dessa forma e a origem desse funcionamento diz respeito a experiências prematuras, desapontamentos e frustrações na infância. Ninguém irá obedecer a partir de agora todos os desejos de uma criança na tentativa de manter a sua integridade psíquica. Não se supõe que a frustração seja algo nocivo. Ao contrário. Ela opera na condição psíquica de cada um criando condições para enfrentar o mundo.


Amadurecer é criar novas possibilidades quando não se consegue algo conforme idealizado e principalmente sustentar aquela situação transitória indesejada sem cair em desespero.

É a maneira como reagimos a determinadas situações e a capacidade de criar saídas alternativas que revelam o nosso grau de amadurecimento. Reclamar e chorar sobre o que aconteceu não serve para muita coisa.

Portanto as experiências da vida e a maneira como as coisas foram negadas na infância ou na juventude constituirão o mundo interno de cada um. Se foram deixados traumas psíquicos, como resultado passa-se a vida sendo pessimista e tendo FÉ de que as coisas NÃO irão dar certo. Fé? Claro. Todo mundo tem fé. Nesse caso ele acredita que nada irá dar certo mesmo. Essa crença irracional protege a pessoa de uma desilusão, um sofrimento. E quando um desapontamento surge, como eventualmente acontece a qualquer um, serve para reforçar a filosofia negativa do pessimista.

O pessimista deve mudar o cenário da vida, como ele se coloca frente a situações e principalmente como chegou a essas crenças a respeito de si e do mundo para tentar aliviar a carga pesada que vem trazendo de seu passado.



27 de março de 2009

Por que temos medo?


O que é o medo? O medo é basicamente uma reação instintiva ao perigo. Uma maneira de o corpo sinalizar que estamos em vias de passar por alguma situação adversa fazendo com que todos os nossos sentidos estejam em alerta nos deixando preparados para algo que nos tirará da zona de conforto. Algum medo é necessário. O medo do fogo, por exemplo. Não colocamos a mão no fogo porque iremos sentir dor e nos queimar. Esse tipo de informação não é inata e após termos aprendido o que aquela ação irá nos provocar desenvolvemos defesas ao perigo iminente. Portanto se alguém nos ameaça com fogo iremos muito provavelmente sentir medo.

Em outras situações diferentes desse exemplo encontramos muitas pessoas que passam a vida inteira com medo e acabam se tornando escravas disso. Algumas tratam o medo como uma alteridade à qual lhe é conferida obediência. E fingindo não dar muita importância ao que sentem, dizem: “Tenho horror...”, “tenho pânico...”, “detesto”, “odeio”, “tenho aversão”, “ojeriza”, “nojo”, “não posso nem ver” e uma infinidade de denominações para algo que em sua origem significa o mesmo. No caso da fobia não existe uma relação como ocorre com o fogo, por exemplo. Tratam-se de casos que apontam para algum tipo de sofrimento psíquico.

A doença psicológica do medo não tem ligação específica com um perigo imediato e real. Na verdade a pessoa fóbica cria um vínculo externo com algo que existe em seu inconsciente.
O medo não está na ocorrência do que irá acontecer naquele momento, provavelmente não acontecerá nada mesmo. Mas o sofrimento gerado diz respeito à uma marca psíquica angustiante, um sentimento de permanente ameaça do que não se conhece.
O que é a síndrome do pânico senão um medo desarrazoado? A descrição das sensações corporais durante uma crise são as de quem está diante de um enorme perigo e na maioria dos episódios a pessoa encontra-se frente à algo ou situação absolutamente inócuos.

Mais cedo ou mais tarde temos que abrir mão de certas coisas que parecem emperrar a vida e dar um passo adiante. Às vezes parece que percorre-se um longo caminho quando na verdade mal saímos do lugar e fica-se preso ao passado. Devem ser criadas possibilidades para a superação dessa condição que impõe limites à vida.

25 de março de 2009

A criança deve visitar o pai na prisão?

Existe uma grande dúvida em relação ao fato de um filho visitar ou não o pai na prisão. Podemos ampliar aqui os representantes dessa delicada questão trazendo também a possibilidade de ser uma filha e de o prisioneiro vir a ser a mãe da criança. O sofrimento é latente em todos os que estão envolvidos de forma direta ou indireta. O aprisionamento se estende inviabilizando o convívio de forma integral fazendo-os passar por uma prova diária de paciência, limitação e resignação.

Além da dor materna em perceber a privação da relação entre pai e filho ainda existe a preocupação de tornar esse convívio encarcerado em uma experiência menos dolorosa e mais carregada de esperança. Além da dor, a mulher tem a preocupação inconsciente de uma boa identificação do filho em relação ao pai apesar do cenário apresentado parecer contrário à uma correta identificação.

Um filho deve visitar o pai na prisão, sim. Aquele homem tão carregado de defeitos e aqui não vou me estender muito nessa questão pois não me compete julgar ou qualificar o ato cometido e sim a relação entre pais e filhos, que sob o peso de inúmeras falhas e débitos com a sociedade não tem o demérito de pai. Ele se mantém respeitável e capaz para seu filho apesar de todas as circunstâncias indicarem o contrário. O pai pode e deve participar da forma que lhe for possível da vida diária da criança, como por exemplo com as tarefas escolares.

É necessário que o filho saiba dos fatos de forma simples, imparcial e na medida correta de sua maturidade emocional e psicológica pois só dessa maneira terá condições de elaborar qualquer sentido ou julgamento sobre os acontecimentos. Por outro lado as visitas poderão ajudar o pai a suportar a vida na prisão e criar sua própria imagem à partir de uma nova avaliação de suas ações. A figura do filho o convoca à uma outra realidade responsabilizando-o por sua vida e pela vida de outros. À medida em que ele enfrenta essa demanda infantil, consegue também enxergar suas questões mais primitivas.

É fundamental que antes da primeira visita seja explicado à criança o que é uma prisão. Sem exagero de detalhes, sem fantasias. Simplesmente informando que se trata de um universo diferente ao que ela está acostumada a ver.

Um adulto talvez não tenha a correta dimensão, mas o presídio é para a criança um mundo impressionante e muitas vezes incompreensível. E com a proximidade do dia da visitação deve ser perguntado à criança se deseja ir visitar o pai. É muito importante que ela tenha o desejo de visitá-lo e nunca ser recriminada caso não queira ir. Assim como não deve ser forçada à isso. Ela tem os seus motivos e deve estar sofrendo em ter que dizer não.

Nos dias que se sucederem à visitação, no intervalo entre uma visita e outra, fique atenta ao comportamento da criança e ao que ela irá lhe dizer. Não faça muitas perguntas, não force nada. Ela está tentando entender um milhão de coisas. Às vezes as crianças se sentem bem aliviadas e mais tranqüilas, para grande surpresa dos adultos. O mais importante é o diálogo, sempre. Toda essa questão é bastante complexa e exige muita coragem e força. Se encontrar alguma dificuldade nesse percurso procure ajuda profissional.