21 de maio de 2009

Escravos de Jó



“...fiquei impressionado. O casal tem uma filha de 6 anos e vive uma relação amorosa com outro casal... o pior é que encontram-se inclusive na casa onde vivem com a menina. E ainda perguntam à pobre da criança se ela se ‘incomoda’ com a situação e a menina diz que não. Pode uma coisa dessas? Você acha que isso pode ter alguma conseqüência para a criança?”

Vivemos na era em que tudo é possível, o prazer é ilimitado e diante da própria angústia o sujeito determina que tem o direito de fazer tudo o que lhe convém pois, paradoxal mesmo, ele não sabe o que fazer com seu mal estar. Obviamente ninguém deve julgar a vida sexual alheia. Acredito que um acordo entre adultos deve ser mantido, pois cada um é absolutamente livre para assumir sua sexualidade e não dar satisfação à quem quer que seja. Como psicóloga posso dizer que a menina é também parceira no suingue. Esse excessivo entrosamento/conhecimento sexual dentro de casa a subordina na participação e conhecimento dos sócios da relação como também dos horários das práticas sexuais de sua mãe e seu pai.

Uma criança de 6 anos não possui suficiente conhecimento sexual para um questionamento dessa ordem. Ela fantasia algo a respeito do que acontece no quarto dos pais e dessa maneira as coisas deveriam ser mantidas. Algum tipo de culpa ou remorso deve surgir naquele que pergunta à filha se ela se ‘incomoda’. Na verdade ela não possui maturidade para dar uma resposta. Mas a nível inconsciente ela já está incomodada pela invasão, porém ainda não consegue definir o que a acomete.

A criança sempre ‘assiste’ à vida sexual dos pai mesmo que na fantasia. Assistir no sentido de que em seus processos psíquicos muito já se formou e somente mais tarde ela poderá de alguma maneira expressar em sua própria vida o que aconteceu. A construção da sexualidade de cada um vem do exterior, do meio em que vive. E ela poderá aderir à práticas sexuais mais liberadas sem, talvez, deixá-la com algum tipo de inibição ou culpa.

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