Você pode ter errado, não faz mal. Isso não configura um problema. Talvez isso faça com que você consiga olhar a vida de uma maneira diferente.
No desespero do erro muitas vezes não é percebida uma possibilidade futura de acerto. Parece que só encontramos valor em nós mesmos quando fazemos algo com competência, sucesso e reconhecimento. No entanto a vida presenteia todos com um permanente aprendizado. E então paramos de nos castigar por causa do erro e vislumbramos a próxima vez, uma nova possibilidade. Transformando qualquer aspecto da vida.
"Nunca perdemos nada ao aprender; sempre ganhamos alguma coisa. A razão pela qual eu sei tanto é ter cometido tantos erros."
Buckminster Fuller, matemático e filósofo que nunca se formou mas recebeu 46 doutorados honorários.
Como sempre faço no início de cada mês, paguei a secretária do consultório e fui retribuída com um grande sorriso e a seguinte afirmação: “Ôba, lá vem o fassmirrí”. Perguntei que idioma era aquele e bem devagar ela me diz “esse é o faz-me rir” explicando sem hipocrisia e com muita naturalidade que o dinheiro a deixava muito feliz.
Depois encontrei com um conhecido que joga na mega sena há muitos anos e quando já estava acumulada na casa dos 20 milhões, fiz referência ao prêmio e ele me disse: “Nem quero ganhar isso tudo sozinho”. Intrigada perguntei o porque em não querer toda aquela quantia já que ele jogava há tantos anos e, portanto, nutria o desejo de ficar rico. Ele me responde: “Ah, sei lá. Não sei como seria. É muito dinheiro, não quero tudo isso, não”, revelando uma imprecisão a respeito do que sentiria ou se tornaria caso recebesse um prêmio vinculado à responsabilidade de algo desejado por milhões de pessoas.
Apesar das dificuldades materiais em que vivem muitas pessoas não conseguem se libertar de registros que determinam suas ações. Ensinamentos na infância que ecoam por toda a existência e que limitam o cotidiano transformando a vida em uma sucessão de acontecimentos repetitivos apesar do desejo que algo diferente (e mágico!) aconteça.
Trocando em miúdos, querer uma vida com dinheiro, de forma criativa, trabalhando no que se gosta, “é para os outros”.
Por pelo menos uma vez todos já ouviram algum desses aforismos:
* O dinheiro é a raiz de todo o mal.
* Rico nesse país, só roubando...
* Guarde para os dias difíceis.
* Rico não tem coração (sentimento, bondade, compaixão)
* Dinheiro não nasce em árvore
* Você acha que sou feito de dinheiro?
* Tenho cara de banco para você me pedir dinheiro todo dia? Eu mesma ouvi algumas dessas na minha infância e as que me recordo são “todo rico é ladrão” e a famosa “não tenho um centavo”.
O dinheiro é um símbolo de troca. Trocamos nosso trabalho (conhecimento, mão de obra, força física) por dinheiro. E esse dinheiro será trocado por algum bem de consumo ou de bem estar. Simples assim. Na maioria das vezes nem chegamos à tocá-lo. Ele aparece na tela do caixa eletrônico ou do computador e temos a grata satisfação de que algo que fizemos nos rendeu frutos e proporcionará algo que desejamos.
O dinheiro nem existe. O dinheiro é virtual. A grande questão do dinheiro é que sobre ele é colocada uma enorme quantidade de símbolos por conta do resultado de tudo o que vivemos e ouvimos na infância transformando, o que era para ser um meio, em símbolo. Símbolo de poder, beleza, sucesso, felicidade. Mas também de corrupção, ganância, desvalia e sujeira. Pessoas que gostam de (ganhar) dinheiro têm receio de que os outros o considerem desprovido de algum valor, sensibilidade ou amor revelando um senso de culpa ligado à esse desejo. Somente se libertando desse condicionamento do passado, saindo da condição de vítima é possível dar o correto valorao dinheiro.
Esse escrúpulo em torno do dinheiro é parte da condição humana e não há nada de novo nisso. Em 1913 Freud já afirmava que “as questões de dinheiro são tratadas pelas pessoas civilizadas da mesma maneira que as questões sexuais – com a mesma incoerência, pudor de hipocrisia”.
Hoje li um artigo que afirmava ser prejudicial para as crianças a permanência com os avós enquanto os pais estão no trabalho. Explicando. Os pequenos que ao invés de irem para a creche ou escolinha, ficavam em casa com os avós. Esse convívio excessivo revelou ser prejudicial para as crianças que apresentaram dificuldades na linguagem ou problemas adaptativos quando alcançavam a idade de três anos. Os que ficavam aos cuidados da creche, escola ou babá especializada apresentaram um desenvolvimento elevado.
Vamos por partes. É claro que o amor dos avós é na maioria das vezes inigualável. Mas em função das limitações que todos enfrentamos à medida que amadurecemos, seria um equívoco acreditar que a convivência com eles devesse proporcionar experiências educacionais e sociais às quais a criança realmente necessita. Isso é função de pais e educadores.
A abordagem do texto foi feita com crianças de todos os níveis sociais. Condição financeira, cultural, possibilidades, acessos facilitados ou eventuais dificuldades não foram importantes na relação entre avós e netos nessa pesquisa. O estudo conclui que os avós merecem apoio ao invés de críticas.
Ter um filho diz respeito ao desejo de alguém em relação à maternidade ou paternidade. Esse desejo vai além do fator biológico e implica muito em comprometimento, formação de novos vínculos, abrir mão de suas prioridades e de todo um mundinho próprio já organizado. Para incluir alguém na própria vida é necessário ter que abdicar de algumas coisas caso contrário vive-se sozinho. O que dirá com a entrada de alguém que irá depender em sua totalidade? Que se encontra em desamparo? Portanto há de se ter além do desejo, algum planejamento e estar preparado (a) para novas responsabilidades e a certeza da presença permanente de alguém irá depender MUITO de todo tipo de cuidados.
Os novos vínculos e alianças que se formam a partir de um filho não implica em delegar a responsabilidade dos cuidados à alguém. O outro tem o direito de não querer essa responsabilidade. Muitas mulheres desejam um filho e quando nasce “a minha mãe (a avó) cuida”.
Avós devem exercer seus papéis e sem querer criar categorias para as funções familiares, pois isso na verdade já existe, eles têm pleno poder sobre suas tarefas. E que tarefas são essas? De serem simplesmente... AVÓS.
Os netos dão uma segunda oportunidade para que sejam aprendidas algumas coisas que escaparam na vez em que surgiram durante a experiência com seus próprios filhos. A presença dos netos também faz com que a passagem do tempo permita aos mais velhos ver com mais felicidade a realidade do segmento de sua vida.
Há muitas vantagens em ser avô ou avó e talvez a mais importante a ser destacada é que eles TÊM TEMPO. Isso soa paradoxal, é verdade. Mas eles têm tempo para os netos. Pois o tempo que falta aos pais, os avós têm. E assim eles exercem seu papel de transmissores de princípios revelando companheirismo, amizade, amor. Mesmo quando os netos estejam passando por dificuldades ou solidão. Mesmo quando são incompreendidos.
Os avós acreditam nos netos de uma forma bastante natural. Os netos olham para eles acreditando que ali existe uma alma, uma existência sem idade no coração, alguém eternamente jovem e imortal. Eles ouvem o que os netos têm a dizer e principalmente o que eles não querem dizer, sem a intenção de administrar a situação como normalmente faria uma mãe ou um pai. Os avós permitem que os netos consigam alcançar seus objetivos oferecendo-se como aliados dando incentivo e inspiração. Em troca sentem o coração rejuvenescido e descobrem a fonte da eterna juventude.
Os pais têm a oportunidade e o dever de manter os filhos em segurança e algumas vezes até utilizam alguns recursos ameaçadores para manter a integridade física dos filhos. Por pelo menos 18 anos mãe ou pai organiza, grita, reclama porque ele entrou de novo em recuperação, impõe maneiras, bons hábitos, arrasta para o médico, o dentista ou fica até mais tarde para explicar a matéria às vésperas da prova ou para esperar que chegue de uma festa.
A imagem dos avós é uma boa marca que se deve levar de lembrança por toda a nossa existência. Uma vez li um livro em que a protagonista dizia a respeito de uma de suas avós e que pode ser estendido aos avôs também. Ela dizia: “A imagem mais marcante que tenho de minha avó foi o dia em que ela juntou suas tintas e telas em branco e nos levou ao Jardim Botânico. Enquanto eu e meu irmão explorássemos os jardins eventualmente eu a olhava de uma pequena distância e lá estava ela. Com porte de rainha diante do cavalete, a luz dourada do sol iluminando seu rosto completamente em transe enquanto pintava. Como eu a amava naquele momento! E essa lição sem palavras cristalizou esse momento de emoção e a sensação permaneceu em mim pelas seis décadas seguintes da minha vida.”
Independente da maneira de se colocar frente a vida seja com fé na religião, na ciência, nos pais ou no amor da sua vida, por algum momento talvez tenha sucumbido a um acontecimento que o fez vacilar nas próprias crenças. Desilusão amorosa, desemprego, morte de alguém querido. De vez em quando a vida nos coloca diante de algumas incertezas e eventuais fracassos.
Não passa despercebida uma pessoa que afirma que nada dá certo, tudo vai mal e culpa desde o governo até o vendedor da esquina por seus insucessos e tristezas. Aquela velha história do copo d’água meio cheio ou meio vazio.
O pessimista cria um modo de vida defensivo se protegendo dos perigos do mundo. Obviamente ninguém nasce dessa forma e a origem desse funcionamento diz respeito a experiências prematuras, desapontamentos e frustrações na infância. Ninguém irá obedecer a partir de agora todos os desejos de uma criança na tentativa de manter a sua integridade psíquica. Não se supõe que a frustração seja algo nocivo. Ao contrário. Ela opera na condição psíquica de cada um criando condições para enfrentar o mundo.
Amadurecer é criar novas possibilidades quando não se consegue algo conforme idealizado e principalmente sustentar aquela situação transitória indesejada sem cair em desespero.
É a maneira como reagimos a determinadas situações e a capacidade de criar saídas alternativas que revelam o nosso grau de amadurecimento. Reclamar e chorar sobre o que aconteceu não serve para muita coisa.
Portanto as experiências da vida e a maneira como as coisas foram negadas na infância ou na juventude constituirão o mundo interno de cada um. Se foram deixados traumas psíquicos, como resultado passa-se a vida sendo pessimista e tendo FÉ de que as coisas NÃO irão dar certo. Fé? Claro. Todo mundo tem fé. Nesse caso ele acredita que nada irá dar certo mesmo. Essa crença irracional protege a pessoa de uma desilusão, um sofrimento. E quando um desapontamento surge, como eventualmente acontece a qualquer um, serve para reforçar a filosofia negativa do pessimista.
O pessimista deve mudar o cenário da vida, como ele se coloca frente a situações e principalmente como chegou a essas crenças a respeito de si e do mundo para tentar aliviar a carga pesada que vem trazendo de seu passado.
O que é o medo? O medo é basicamente uma reação instintiva ao perigo. Uma maneira de o corpo sinalizar que estamos em vias de passar por alguma situação adversa fazendo com que todos os nossos sentidos estejam em alerta nos deixando preparados para algo que nos tirará da zona de conforto. Algum medo é necessário. O medo do fogo, por exemplo. Não colocamos a mão no fogo porque iremos sentir dor e nos queimar. Esse tipo de informação não é inata e após termos aprendido o que aquela ação irá nos provocar desenvolvemos defesas ao perigo iminente. Portanto se alguém nos ameaça com fogo iremos muito provavelmente sentir medo.
Em outras situações diferentes desse exemplo encontramos muitas pessoas que passam a vida inteira com medo e acabam se tornando escravas disso. Algumas tratam o medo como uma alteridade à qual lhe é conferida obediência. E fingindo não dar muita importância ao que sentem, dizem: “Tenho horror...”, “tenho pânico...”, “detesto”, “odeio”, “tenho aversão”, “ojeriza”, “nojo”, “não posso nem ver” e uma infinidade de denominações para algo que em sua origem significa o mesmo. No caso da fobia não existe uma relação como ocorre com o fogo, por exemplo. Tratam-se de casos que apontam para algum tipo de sofrimento psíquico.
A doença psicológica do medo não tem ligação específica com um perigo imediato e real. Na verdade a pessoa fóbica cria um vínculo externo com algo que existe em seu inconsciente. O medo não está na ocorrência do que irá acontecer naquele momento, provavelmente não acontecerá nada mesmo. Mas o sofrimento gerado diz respeito à uma marca psíquica angustiante, um sentimento de permanente ameaça do que não se conhece. O que é a síndrome do pânico senão um medo desarrazoado? A descrição das sensações corporais durante uma crise são as de quem está diante de um enorme perigo e na maioria dos episódios a pessoa encontra-se frente à algo ou situação absolutamente inócuos.
Mais cedo ou mais tarde temos que abrir mão de certas coisas que parecem emperrar a vida e dar um passo adiante. Às vezes parece que percorre-se um longo caminho quando na verdade mal saímos do lugar e fica-se preso ao passado. Devem ser criadas possibilidades para a superação dessa condição que impõe limites à vida.
Existe uma grande dúvida em relação ao fato de um filho visitar ou não o pai na prisão. Podemos ampliar aqui os representantes dessa delicada questão trazendo também a possibilidade de ser uma filha e de o prisioneiro vir a ser a mãe da criança. O sofrimento é latente em todos os que estão envolvidos de forma direta ou indireta. O aprisionamento se estende inviabilizando o convívio de forma integral fazendo-os passar por uma prova diária de paciência, limitação e resignação.
Além da dor materna em perceber a privação da relação entre pai e filho ainda existe a preocupação de tornar esse convívio encarcerado em uma experiência menos dolorosa e mais carregada de esperança. Além da dor, a mulher tem a preocupação inconsciente de uma boa identificação do filho em relação ao pai apesar do cenário apresentado parecer contrário à uma correta identificação. Um filho deve visitar o pai na prisão, sim. Aquele homem tão carregado de defeitos e aqui não vou me estender muito nessa questão pois não me compete julgar ou qualificar o ato cometido e sim a relação entre pais e filhos, que sob o peso de inúmeras falhas e débitos com a sociedade não tem o demérito de pai. Ele se mantém respeitável e capaz para seu filho apesar de todas as circunstâncias indicarem o contrário. O pai pode e deve participar da forma que lhe for possível da vida diária da criança, como por exemplo com as tarefas escolares.
É necessário que o filho saiba dos fatos de forma simples, imparcial e na medida correta de sua maturidade emocional e psicológica pois só dessa maneira terá condições de elaborar qualquer sentido ou julgamento sobre os acontecimentos. Por outro lado as visitas poderão ajudar o pai a suportar a vida na prisão e criar sua própria imagem à partir de uma nova avaliação de suas ações. A figura do filho o convoca à uma outra realidade responsabilizando-o por sua vida e pela vida de outros. À medida em que ele enfrenta essa demanda infantil, consegue também enxergar suas questões mais primitivas.
É fundamental que antes da primeira visita seja explicado à criança o que é uma prisão. Sem exagero de detalhes, sem fantasias. Simplesmente informando que se trata de um universo diferente ao que ela está acostumada a ver.
Um adulto talvez não tenha a correta dimensão, mas o presídio é para a criança um mundo impressionante e muitas vezes incompreensível. E com a proximidade do dia da visitação deve ser perguntado à criança se deseja ir visitar o pai. É muito importante que ela tenha o desejo de visitá-lo e nunca ser recriminada caso não queira ir. Assim como não deve ser forçada à isso. Ela tem os seus motivos e deve estar sofrendo em ter que dizer não.
Nos dias que se sucederem à visitação, no intervalo entre uma visita e outra, fique atenta ao comportamento da criança e ao que ela irá lhe dizer. Não faça muitas perguntas, não force nada. Ela está tentando entender um milhão de coisas. Às vezes as crianças se sentem bem aliviadas e mais tranqüilas, para grande surpresa dos adultos. O mais importante é o diálogo, sempre. Toda essa questão é bastante complexa e exige muita coragem e força. Se encontrar alguma dificuldade nesse percurso procure ajuda profissional.
A anorexia não é uma doença nova que surgiu por demanda de uma sociedade lipofóbica, exigente e cruel. A anorexia existe desde a Idade Média e ao longo da história parece revelar a mesma dificuldade de aceitação no meio social. O anoréxico possui uma imagem corporal distorcida. Isso quer dizer que a visão que ele tem de si não é a mesma que os outros tem a respeito dele. Falando de uma forma ampla e lembrando que as questões psíquicas são sempre tratadas de forma singular, o anoréxico possui também uma dificuldade em crescer no sentido do amadurecimento. Com um olhar atento, percebe-se que o comportamento irracional de emagrecimento vai gradualmente fazendo-o perder suas formas curvilíneas, conservando formas infantis assexuadas.
Ao contrário do que se pensa o anoréxico sente fome.
Existem 2 tipos de anoréxicos: Aqueles que restringem. Aqueles que possuem episódios bulímicos (binge). Os dois tipos estão muito vinculados mas não se manifestam necessariamente juntos. A questão principal é a dificuldade em lidar com o limite. O limite com a restrição que se coloca de forma radical ou o limite de “não conseguir mais parar de comer” como em geral relatam as pessoas com episódios bulímicos. Convém lembrar que esse limite é uma questão de teor subjetivo, portanto não adianta criar uma pedagogia dentro de casa para tratar um transtorno dessa gravidade.
A anorexia não é uma doença restrita à uma camada de nível socioeconômico elevado como também não é exclusiva às meninas ou mulheres jovens. Já existem níveis expressivos surgindo em meninos com idade anterior à puberdade.
A anorexia tem tratamento e os resultados são muito bons. Mas para o paciente aderir ao tratamento é importante que a questão seja entendida como patologia especialmente pela família, pois em muitos casos parece existir uma negação por parte de todos em lidar com esse tipo de realidade. É a família que, na grande maioria dos casos, leva esse paciente ao tratamento pois como ele acredita ter “tudo sob controle” não vai sozinho à um psicólogo ou médico por achar desnecessário.
Se as famílias ou as pessoas de convívio mais próximo, não “vêem” a situação de forma clara, quem irá levar o anoréxico a um tratamento? O corpo enfraquecido não consegue resistir à uma virose por exemplo e, muitas vezes necessita de hospitalização por conta de um resfriado que evolui gravemente e pode levar à morte por uma debilitada condição imunológica.
O tratamento é multidisciplinar com psicólogo, nutricionista, um clínico geral e, em alguns casos, psiquiatra.