24 de março de 2009

Anorexia

A anorexia não é uma doença nova que surgiu por demanda de uma sociedade lipofóbica, exigente e cruel. A anorexia existe desde a Idade Média e ao longo da história parece revelar a mesma dificuldade de aceitação no meio social. O anoréxico possui uma imagem corporal distorcida. Isso quer dizer que a visão que ele tem de si não é a mesma que os outros tem a respeito dele. Falando de uma forma ampla e lembrando que as questões psíquicas são sempre tratadas de forma singular, o anoréxico possui também uma dificuldade em crescer no sentido do amadurecimento. Com um olhar atento, percebe-se que o comportamento irracional de emagrecimento vai gradualmente fazendo-o perder suas formas curvilíneas, conservando formas infantis assexuadas.

Ao contrário do que se pensa o anoréxico sente fome.

Existem 2 tipos de anoréxicos: Aqueles que restringem. Aqueles que possuem episódios bulímicos (binge). Os dois tipos estão muito vinculados mas não se manifestam necessariamente juntos. A questão principal é a dificuldade em lidar com o limite. O limite com a restrição que se coloca de forma radical ou o limite de “não conseguir mais parar de comer” como em geral relatam as pessoas com episódios bulímicos. Convém lembrar que esse limite é uma questão de teor subjetivo, portanto não adianta criar uma pedagogia dentro de casa para tratar um transtorno dessa gravidade.

A anorexia não é uma doença restrita à uma camada de nível socioeconômico elevado como também não é exclusiva às meninas ou mulheres jovens. Já existem níveis expressivos surgindo em meninos com idade anterior à puberdade.

A anorexia tem tratamento e os resultados são muito bons. Mas para o paciente aderir ao tratamento é importante que a questão seja entendida como patologia especialmente pela família, pois em muitos casos parece existir uma negação por parte de todos em lidar com esse tipo de realidade. É a família que, na grande maioria dos casos, leva esse paciente ao tratamento pois como ele acredita ter “tudo sob controle” não vai sozinho à um psicólogo ou médico por achar desnecessário.

Se as famílias ou as pessoas de convívio mais próximo, não “vêem” a situação de forma clara, quem irá levar o anoréxico a um tratamento? O corpo enfraquecido não consegue resistir à uma virose por exemplo e, muitas vezes necessita de hospitalização por conta de um resfriado que evolui gravemente e pode levar à morte por uma debilitada condição imunológica.

O tratamento é multidisciplinar com psicólogo, nutricionista, um clínico geral e, em alguns casos, psiquiatra.

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